<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414</id><updated>2011-04-22T00:29:47.721+01:00</updated><title type='text'>Haverá Vida para lá da Vida?</title><subtitle type='html'>Num momento da minha vida em que tudo se questiona e nada do que era continua a ser, surge este espaço no qual tenciono partilhar com quem por aqui passar um pouco das minhas duvidas, dos meus pensamentos e ideias, esperando que os vossos comentários me ajudem a reencontrar o meu caminho e que os meus pensamentos vos ajudem no vosso... Espero vêr-vos por aqui, neste limbo virtual da vida...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-111167695587183738</id><published>2005-03-24T15:07:00.000Z</published><updated>2005-03-24T15:09:15.870Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sei que já estou em falta por tão longa ausência pelo que, para recomeçar devagarinho, aqui vai uma pequena estória que escrevi a título de brincadeira...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-111167695587183738?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/111167695587183738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/111167695587183738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2005/03/sei-que-j-estou-em-falta-por-to-longa.html' title=''/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-111167686095067260</id><published>2005-03-24T15:05:00.000Z</published><updated>2005-03-24T15:07:40.953Z</updated><title type='text'>Descendências</title><content type='html'>O vento, forte e abafado, bate contra as paredes da casa fazendo ruído suficiente para acordar quem lá dormisse. Se lá morasse alguém...&lt;br /&gt;Abandonada há décadas por uma família abastada que não soubera o que fazer com o velho casarão após a morte do solteirão e excêntrico tio Aurélio, fora utilizada como residência por alguns sem abrigo até à altura em que todas as portas e janelas haviam sido definitivamente seladas com tijolos levantados às três pancadas.&lt;br /&gt;Agora só o silêncio percorre as suas salas.&lt;br /&gt;Ou assim parece. O gato Matias, bicho corpulento de luzidio pelo amarelo, anda de volta da varanda do primeiro andar: por algum lado há-de lá conseguir entrar...&lt;br /&gt;Pequenos rasgos de luz penetram pelas frinchas dos tijolos mal acamados. Os raios parecem brincar com o pó que enche a casa, tecendo novos padrões por onde passam, criando intricadas danças com a poeira que rodopia pelo ar.&lt;br /&gt;Um cheiro pungente enche a casa: um cheiro almiscarado a... ratos?&lt;br /&gt;O gato Matias não tem a menor dúvida: ainda não conseguiu descortinar forma de entrar na casa mas que ali vive muito rato, isso ninguém lhe tira.&lt;br /&gt;O dia já vai longo e o gato Matias decide desistir. Já está a ficar farto daquele exercício de frustração e sempre tem comida à espera em casa. Apenas gostaria de ter dado algum uso às suas garras...&lt;br /&gt;Não faz ideia de que, por razões de antiguidade, teria ele mais direito a percorrer aqueles corredores do que as famílias de roedores que por lá se instalaram – e como o poderia saber?&lt;br /&gt;Sua ascendente remota era, sem sombra de dúvidas, a gata Bichana, animal de pelo farto, amarelado, que habitara aquela casa com o tio Aurélio e com ele perseguira os ratos que por esses tempos se aventuravam entre aquelas paredes. &lt;br /&gt;Passara horas sentada no terraço das traseiras da casa a gozar do sol e do calor ou a amamentar as várias ninhadas que fora tendo ao longo dos tempos, enquanto o velho Aurélio varria o dito terraço com uma sólida vassoura de cerdas de palha, várias vezes utilizada para esmagar esta ou aquela barata, em dias de maior sorte um ou outro rato. &lt;br /&gt;Não era só para dar cor ao texto que há pouco se dizia que o tio Aurélio era excêntrico: o homem tinha, de facto algumas particularidades. A mais evidente, para quem ali entrasse no tempo em que ele lá morava e se dirigisse à zona da copa, seria a sua magnifica colecção de vassouras: nada destas vassouras de plástico que hoje se usa mas vassouras à antiga, de madeira, com cerdas de palha amarradas por cordel. Era o próprio quem as fazia e, por qualquer motivo, nunca as deitava fora. Bastaria trocas as cerdas e aproveitar os cabos mas ele, do que gostava mesmo, era de ir fazendo mais uma e mais uma. &lt;br /&gt;Logo atrás da sua mania por vassouras só mesmo o seu grande ódio por ratos! A madame bichana não era a única gata com quem vivia: de tal forma odiava ratos que, ao contrário dos seus vizinhos que afogavam a prole dos seus felinos, o tio Aurélio ia alimentando e cuidando de toda aquela gataria até já não se saber mais de quem era a casa... &lt;br /&gt;A noite desceu e o gato Matias foi à sua vida para outros quintais. Dentro da casa o ouvinte mais atento pode escutar os passos leves e apressados dos roedores que buscam comida para alimentar as suas crias. Estas, quase cegas, encolhem-se por entre as palhas quentes do que havia sido em tempos remotos um sem número de vassouras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-111167686095067260?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/111167686095067260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=111167686095067260' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/111167686095067260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/111167686095067260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2005/03/descendncias.html' title='Descendências'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110298823731856374</id><published>2004-12-14T01:32:00.000Z</published><updated>2004-12-14T01:38:48.360Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Preciso&lt;br /&gt;de ser abraçada com força&lt;br /&gt;para poder desfazer todas as minhas mágoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorar até a alma se rasgar&lt;br /&gt;deixando sair toda a dor que me está a matar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e ter esse alguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a apertar-me&lt;br /&gt;para não deixar fugir nenhum pedacinho&lt;br /&gt;e permitir remendar-me.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110298823731856374?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110298823731856374/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110298823731856374' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110298823731856374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110298823731856374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/12/preciso-de-ser-abraada-com-fora-para.html' title=''/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110193845241986112</id><published>2004-12-01T22:00:00.000Z</published><updated>2004-12-01T22:02:43.763Z</updated><title type='text'>o gosto e o "outro"</title><content type='html'>Até que ponto é que nós construímos o outro com aquilo que esperamos dele? Quando ele tenta ir de encontro a essa ideia... até que ponto é que, afinal, moldamos o outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que fomos nós que o fomos moldando em alguns aspectos ou ele é que moldou a nossa forma de gostar, a si? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que moldamos o outro aos nossos gostos, quando este tenta cumprir com as nossas expectativas ou será que o nosso gosto se vai moldando à pessoa de quem gostamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que estamos condenados a procurar as qualidades do nosso primeiro amor em todas as pessoas que formos conhecendo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110193845241986112?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110193845241986112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110193845241986112' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110193845241986112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110193845241986112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/12/o-gosto-e-o-outro.html' title='o gosto e o &quot;outro&quot;'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110133399967744069</id><published>2004-11-24T21:54:00.000Z</published><updated>2004-11-24T22:06:39.676Z</updated><title type='text'>Conceitos - debatendo o amor II</title><content type='html'>Há dias em que acordo a acreditar na absoluta supremacia e omnipotência do amor... que há alguém no mundo - talvez a nossa alma-gémea ou cara metade - para a qual nós somos o "todo absoluto"; que olha para nós e sabe, sem a menor dúvida, que nascemos para partilhar a vida ao lado um do outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que acordo a acreditar que, entre os milhares de habitantes do mundo, de alguma forma, o destino há-de trazer aquela pessoa especial até à nossa vida, à nossa porta, por maiores que fossem as distâncias que nos separavam à nascença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que acordo a acreditar que há alguém cujo simples olhar nos deixa as pernas bambas e cujo segurar de mão nos faz sentir a pessoa mais confiante à face da terra; que nos dá a certeza de que, apesar de todas as nossas manias, defeitos e medos, nós somos perfeitos - ou pelo menos, com a força que ela nos dá, o iremos ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que acordo... e fico à espera que venhas até à minha porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110133399967744069?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110133399967744069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110133399967744069' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110133399967744069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110133399967744069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/conceitos-debatendo-o-amor-ii.html' title='Conceitos - debatendo o amor II'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110073023728287077</id><published>2004-11-17T22:17:00.000Z</published><updated>2004-11-24T22:07:43.946Z</updated><title type='text'>Isto é ficção!!</title><content type='html'>Querídissimos leitores (quando são poucos tem de se tratar bem LOL:)&lt;br /&gt;Ao que parece, quer por comentários escritos que por aqui aparecem (anónimos), quer por outros que me foram ditos directamente, há um ponto que devo esclarecer acerca deste blog: o que aqui escrevo são (ou pelo menos tentam ser) textos literários. Isto quer dizer que são &lt;em&gt;ficção&lt;/em&gt;; podem ser baseados em factos da minha vida, da de alguém que conheço ou completamente inventados. Podem expressar os mais profundos dos meus pensamentos ou convições ou apenas terem sido escritos para vos espicaçar... isso vocês nunca saberão. Mas não são, ou não procuram ser auto-biográficos. O que seria de uma escritora se não pudesse usar a imaginação???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos e espero continuar a encontrá-los por aqui...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110073023728287077?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110073023728287077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110073023728287077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110073023728287077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110073023728287077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/isto-fico.html' title='Isto é ficção!!'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110067874576695811</id><published>2004-11-17T08:04:00.000Z</published><updated>2004-11-17T08:05:45.766Z</updated><title type='text'>Desencontros</title><content type='html'>Da primeira vez que a vi trazia uma blusa cingida ao corpo e uns jeans azuis, simples. Nos pés, uns ténis; o cabelo solto, à volta dos ombros.&lt;br /&gt;Movia-se de forma insegura, como quando vamos num caminho de terra solta, com medo de escorregar em alguma pedra.&lt;br /&gt;Olhava as pessoas por quem passava até ao momento em que davam por ela. Baixava então a vista para o chão ou para o relógio.&lt;br /&gt;Sentou-se na mesa ao meu lado. Por companhia um livro de que nunca cheguei a saber o titulo.&lt;br /&gt;Enquanto esperou o croissant e o sumo, fumou um cigarro e leu o que faltava ao livro (o serviço não era lento; o livro estava quase no fim).&lt;br /&gt;A minha conta chegou. Descobri estar já atrasado para o emprego. Numa troca rápida de dinheiro com o empregado levantei-me da esplanada.&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Dirigiu-se ao balcão naquele seu andar extremamente feminino e entregou-me o talão com o nome do livro que queria requisitar.&lt;br /&gt;Cabelo apanhado num puxinho (como usam as bailarinas), vestido em tons pasteis que adivinhava as linhas do seu corpo.&lt;br /&gt;Tinha um passo incerto, como se tivesse sempre medo, mas isso apenas lhe conferia uma fragilidade sensual, aumentando o seu carisma.&lt;br /&gt;Chamava-se Mariana, trabalhava num escritório de uma firma de construção civil.&lt;br /&gt;Vinha com frequência à biblioteca.&lt;br /&gt;Entreguei-lhe o livro e afastou-se após um rápido “bom dia”.&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Acabou o livro no momento em que apareceu o criado com o croissant e o sumo.&lt;br /&gt;A seu lado alguém se levantou e afastou em direcção ao parque de estacionamento.&lt;br /&gt;O livro terminara de uma forma brusca. Incompleto, aprofundara a sensação de vazio que ela esperara que fosse atenuada pela leitura.&lt;br /&gt;Comeu rapidamente o croissant; transparecia o desconforto de se encontrar sozinha.&lt;br /&gt;Nessa manhã dera parte de doente no escritório.&lt;br /&gt;Levantou-se e dirigiu-se para a paragem do autocarro. Iria ao cinema.&lt;br /&gt;No final da sessão sentiu uma pungente necessidade de companhia. A noite já se estendia em todas as direcções. O Carlos tinha ido para fora e só voltava para a semana.&lt;br /&gt;Lágrimas escorriam-lhe pela cara.&lt;br /&gt;Deixou-se andar sem destino. Sem reparar no caminho foi ter à ponte.&lt;br /&gt;Olhou as águas, as luzes das ruas reflectidas, o som dos carros que passavam como pano de fundo.&lt;br /&gt;Descalçou-se, despiu os jeans e a blusa. As lágrimas escorriam-lhe de novo pela cara sem que o notasse. Um sofrimento tão intenso e interno, tão sem razão de ser, de existir.&lt;br /&gt;Nua, sentou-se sobre o corrimão.&lt;br /&gt;O escuro, o abismo, a obliteração - o retorno.&lt;br /&gt;O fim absoluto e supremo. Sentia-se atraída, arrebatada.&lt;br /&gt;- Carlos. Eu preciso de ti.&lt;br /&gt;A ponte estava deserta. Pôs-se de pé sobre o corrimão, encostada a um dos pilares.&lt;br /&gt;Queria sentir-se sugada pela não existência.&lt;br /&gt;Deixou-se ir.&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;Vim passear o cão, o Jaime.&lt;br /&gt;Todas as noites o mesmo caminho: saio de casa, viro à direita, seguimos até ao jardim - ele espalha o seu aroma em 15 ou 20 cantos diferentes - continuamos em direcção à ponte, e à saída da ponte viro à direita para entrar pela parte se cima da rua onde moro.&lt;br /&gt;Tínhamos agora saído do jardim e o Jaime vinha com o focinho colado ao chão, quando pareceu ter encontrado qualquer coisa de mais curioso. Parou com o dito focinho enterrado num amontoado de roupas caídas no meio do passeio.&lt;br /&gt;Olhei. Um par de jeans, uma blusa, uns ténis pretos. O soutien voava na estrada.&lt;br /&gt;Não sei que impulso me fez olhar para o rio, mas fi-lo mesmo a tempo de ver um vulto ser engolido pelas águas.&lt;br /&gt;Corri para a cabine telefónica no fim da ponte e chamei uma ambulância.&lt;br /&gt;Foi a segunda vez que a vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110067874576695811?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110067874576695811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110067874576695811' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110067874576695811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110067874576695811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/desencontros.html' title='Desencontros'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110045593702882194</id><published>2004-11-14T18:08:00.000Z</published><updated>2004-11-14T18:12:17.030Z</updated><title type='text'>O assalto (cont.)</title><content type='html'>No dia seguinte o Rato chegou ao café à hora combinada. Já lá estava o Carlos, na mesma mesa e com 3 finos vazios e um a meio à frente.&lt;br /&gt;- Boa noite.&lt;br /&gt;- Boas.&lt;br /&gt;- Tás pronto? - perguntou o Rato.&lt;br /&gt;- Estou.&lt;br /&gt;- O carro está lá fora, é só fazermos um pouco de tempo.&lt;br /&gt;- Ontem esqueci-me de perguntar uma coisa: que carro é que é?&lt;br /&gt;-  Hã?!&lt;br /&gt;- Sabes, pá, é que já não pego num carro há uns mesitos e, prontos, gostava de saber que carro é que é. È que eu não gosto de Renaults.&lt;br /&gt;- É um Opel.&lt;br /&gt;- Um Opel . . .&lt;br /&gt;- Um Corsa, raios. Um dos novos.&lt;br /&gt;- Áh.&lt;br /&gt;Ficaram os dois em silêncio. De vez em quando o Rato olhava para o relógio. Ao fim de umas dez olhadelas disse:&lt;br /&gt;-É melhor irmos pagar que já são 22:30.&lt;br /&gt;Em cinco minutos estavam na bomba de gasolina.&lt;br /&gt;Estava só um fulano a meter gasolina e o vendedor encontrava-se sozinho na loja.&lt;br /&gt;O Rato dirige-se á loja e começa a perguntar os preços dos cachorro-quentes enquanto revira as revistas.&lt;br /&gt;Entra o fulano que estava a meter gasolina e paga.&lt;br /&gt;Cá fora o Carlos acaba de atestar o carro.&lt;br /&gt;Liga o carro e engata primeira.&lt;br /&gt;O Rato, a meio do preço do cachorro simples e do com molho bolonhesa aponta a arma ao vendedor.&lt;br /&gt;O Carlos destrava o carro.&lt;br /&gt;É então que um grupo de jovens, em dois carros e três motorizadas, entra no recinto da bomba de gasolina. &lt;br /&gt;As motas são paradas mesmo em frente à saída para a estrada; os carros, um em frente à porta da loja e o outro imediatamente atrás.&lt;br /&gt;O Rato houve a barulheira lá fora e agarra imediatamente o dinheiro que o funcionário lhe estendia.&lt;br /&gt;Corre para a porta e entra no carro que está em frente a esta - que por coincidência também é um Corsa preto.&lt;br /&gt;O Carlos não está a perceber nada.&lt;br /&gt;-Arranca - diz o Rato para o fulano ao volante&lt;br /&gt;-Olha lá, estás no carro errado.&lt;br /&gt;Apercebendo-se do erro, o Rato aponta-lhe a arma:&lt;br /&gt;-Arranca JÁ !!&lt;br /&gt;O condutor dá-lhe um violento murro que o deixa K.O.&lt;br /&gt;Começam-se a ouvir as sirenes da polícia que o vendedor entretanto chamara.&lt;br /&gt;O Carlos, sem pensar duas vezes, faz marcha a trás, sai pela entrada e passa já a uns 80 Kms/h pela polícia.&lt;br /&gt;Vai para Valença, onde vem a ser preso pelo roubo do carro do primo do Rato pois este, quando soube que o Carlos tinha abandonado o primo à moina não hesitou em apresentar queixa de furto do veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim (para os desatentos... hehehe)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110045593702882194?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110045593702882194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110045593702882194' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110045593702882194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110045593702882194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/o-assalto-cont.html' title='O assalto (cont.)'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110029887248515455</id><published>2004-11-12T22:30:00.000Z</published><updated>2004-11-12T22:34:32.486Z</updated><title type='text'>O assalto </title><content type='html'>O Carlos andava desesperado por algum dinheiro.&lt;br /&gt;Já não se lembrava da última vez que tivera uma refeição decente e nem mesmo o dinheiro que ganhava como arrumador lhe chegava para a dose diária de heroina.&lt;br /&gt;De tanto ter emagrecido, as calças ficavam-lhe como se fossem três números acima; a camisa estava rota nos cotovelos e apresentava algumas manchas de sangue aqui e ali (era a melhor camisa que tinha).&lt;br /&gt;Parte da sola das sapatilhas já fora comida pelo asfalto e a barba era a única coisa que ia conseguindo manter decente graças às laminas que encontrava no lixo.&lt;br /&gt;Acho que era por causa do aspecto que já nem dinheiro lhe davam por estar a arrumar carros. É preciso ter em conta que quando digo “arrumar carros” estou a ser um pouco simpático pois ele ficava o dia todo a abanar o braço na mesma direcção, quase só mudando de lugar quando alguém lhe buzinava.&lt;br /&gt;Dava dó de ver.&lt;br /&gt;Depois tudo mudou.&lt;br /&gt;O Rato, um amigo de infância, ofereceu-lhe a oportunidade de participar num golpe que o poria bem na vida durante algum tempo.&lt;br /&gt;Adiantou-lhe algum dinheiro para que ele desse um jeito na aparência.&lt;br /&gt;O Carlos comprou roupa nova, tomou um banho e fez uma refeição decente.&lt;br /&gt;Arranjou uma boa dose de heroina e deu um chuto que o levou até ás estrelas.&lt;br /&gt;No dia seguinte parecia outro.&lt;br /&gt;Encontrou-se às duas no café com o Rato, a fim de acertarem os últimos pontos do assalto:&lt;br /&gt;-É muito simples - dizia o Rato - sabes aquele desacordo que está a haver outra vez entre as bombas de gasolina e os bancos . . .&lt;br /&gt;- Hã . . .&lt;br /&gt;-Por causa dos multibancos e daquela taxa que os gajos querem cobrar . . .&lt;br /&gt;- Tenho andado um pouco desligado - disse o Carlos, como se alguém o não soubesse.&lt;br /&gt;- Bem, não interessa. As bombas de gasolina deixaram outra vez de aceitar multibanco.&lt;br /&gt;Quer dizer que todas as noites estão cheias de massa.&lt;br /&gt;Pois bem, o plano é o seguinte: amanhã à noite, que é véspera de feriado, lá pelas 22:30 (antes de eles fecharam a entrada ao pessoal) vamos, como quem não quer a coisa, ali àquela Shell no centro da vila já que a moina nunca lá passa.&lt;br /&gt;Tu vais a guiar.&lt;br /&gt;- Tá bem.&lt;br /&gt;- Já tás fiche, não estás? O dinheiro que te emprestei já te pôs nos eixos que se nota, não já?&lt;br /&gt;- Hum, hum.&lt;br /&gt;-O.K.&lt;br /&gt;Tu atestas o depósito.&lt;br /&gt;Demoras o tempo que for preciso. Se vires que está muita gente demora mais um bocado.&lt;br /&gt;Metes-te no carro assim que acabares e chega-lo à frente, para junto da porta.&lt;br /&gt;Entretanto eu estou na loja, a fazer de conta que quero batatas fritas ou bolachas ou qualquer outra porra.&lt;br /&gt;Faço que estou muito indeciso para poder demorar o tempo que for preciso.&lt;br /&gt;Quando vir que estás a arrancar digo que quero pagar a gasolina e quando ele me disser que são vinte euros eu saco da arma e peço-lhe o dinheiro todo.&lt;br /&gt;Num instante estamos na via norte e vamos passar o resto da noite em Valença, a curtir umas miúdas e o que mais quisermos.&lt;br /&gt;Percebeste?&lt;br /&gt;- Hum, hum.&lt;br /&gt;- O.K. Encontramo-nos amanhã aqui, lá para as 22:00.&lt;br /&gt;Eu trago o carro do meu primo. . .&lt;br /&gt;Agora tenho que ir trabalhar. Até amanhã.&lt;br /&gt;(cont.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110029887248515455?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110029887248515455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110029887248515455' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110029887248515455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110029887248515455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/o-assalto.html' title='O assalto '/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-110009717069980850</id><published>2004-11-08T01:28:00.000Z</published><updated>2004-11-17T22:03:08.176Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não peço &lt;br /&gt;o que não podes dar &lt;br /&gt;e tu &lt;br /&gt;também não o ofereces...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;br /&gt;deixaste cá o teu perfume &lt;br /&gt;e isso &lt;br /&gt;é mais do que aquilo que consigo ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero-te afastar do meu pensamento&lt;br /&gt;Confuso&lt;br /&gt;Pois nem bem eu sei o que de ti quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-110009717069980850?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/110009717069980850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=110009717069980850' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110009717069980850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/110009717069980850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/no-peo-o-que-no-podes-dar-e-tu-tambm.html' title=''/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-109970133302425307</id><published>2004-11-06T01:34:00.000Z</published><updated>2004-11-07T01:16:44.053Z</updated><title type='text'>Indecisão</title><content type='html'>A água da chuva escorria pela janela da sala.&lt;br /&gt;Sentado no sofá, ingeria programa de televisão um atrás do outro, sem bem ter consciência dos conteúdos ou do porquê de não se conseguir desligar daquilo. Bastava apenas um pequeno toque no botão OFF do comando mental. Desligar do mundo das imagens e ligar o cérebro. Mas era tão mais fácil... simplesmente deixar-se inundar pelas cores e sons, abstraindo a mente de todas as coisas em que não queria pensar...&lt;br /&gt;Constantemente à espera que ela ligasse. &lt;br /&gt;Ou melhor ainda: que, de forma totalmente inesperada, tocasse à campainha. &lt;br /&gt;Mas depois lembrava-se que ela nunca viera a sua casa; provavelmente nunca daria com a mesma sem lhe telefonar a pedir indicações e, isso, iria estragar completamente o momento imaginado pois sabia que ela não o faria. Se nem sequer lhe ligava para, apenas, conversar, porque diabo o faria para saber aonde ficava a casa dele? &lt;br /&gt;"E assim caem as fantasias" – pensou. Que mania irritante de racionalizar tudo... porque não deixar-se embalar um pouco mais na ideia da presença dela: espontânea, fruto de uma necessidade dela de estar consigo...&lt;br /&gt;Ah, mas para isso é que tinha a televisão: para se embalar com a fantasia.&lt;br /&gt;Estava farto daquela vida: todos os fins-de-semana era a mesma coisa, fechado em casa, tentando impedir a entrada do mundo ao mesmo tempo que se afogava em imagens irreais. E depois a segunda-feira, a rotina de há tantos anos, a chegada ao escritório, o trabalho monótono...&lt;br /&gt;Talvez de toda a televisão que consumia (ou por causa dos pacotes de bolachas e batatas fritas que normalmente serviam de acompanhamento) a verdade é que se começava a parecer com o clássico solteirão de meia-idade (apesar de só ter passado as 30 primaveras há dois anos): a barriga estava a ficar pendente demais para que os seus meros 1m73 a pudessem contrabalançar; o cabelo rareava de dia para dia, quase como se cada cabelo que encontrava no ralo da banheira após o banho tivesse morto a raiz ao cair... enfim, não havia nada em si que lhe desse a confiança necessária para fazer uma declaração amorosa... &lt;br /&gt;Não sabia o que fazer para mudar as coisas, para se sentir bem consigo mesmo e ter vontade de fazer alguma coisa que o deixasse de bem consigo mesmo.&lt;br /&gt;Ao voltar da cozinha, uma lata de cola numa mão e um pacote de bolachas na outra, acidentalmente sentou-se em cima do comando da TV, desligando-a. Imediatamente procurou o comando entre as almofadas mas, quando a sua mão o encontrou já havia decidido não a voltar a ligar: "ora, o mundo há-de ser mais do que esta minha vida. Lá dizia o outro: se Maomé não vai à montanha... Vou procurá-la. Está decidido. Hoje vai ser o primeiro dia do resto da minha vida. Espera aí... que horas são?" Olhou para o relógio. 20h58. "Ora bolas, amanhã tenho de me levantar cedo para ir trabalhar... se saio de casa agora vou atrasar o jantar... e às 22h vai dar aquele filme que quero ver... Antes das 21h30 não consigo sair: ainda tenho de me vestir e esperar que o frango esteja cozido... E depois, vou por aí fora e nem sequer sei se ela está em casa. Podia-lhe ligar. Pois, e o que lhe digo? Vou até tua casa pois não consigo mais viver sem ti? A tipa vai achar que sou louco! Enquanto que se aparecer de surpresa... E se ela estiver com alguém em casa? É verdade que já não namora com aquele parvo mas, enfim, uma mulher tão bonita como aquela não há-de ficar muito tempo sozinha... O que é mais uma razão para eu ir e Ups, já são 21h10. Agora é que está mesmo tarde. OK. A partir de amanhã. Semana nova, vida nova. Amanhã será o primeiro dia do resto da minha vida." &lt;br /&gt;Tirou uma bolacha do pacote e ligou a televisão.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-109970133302425307?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/109970133302425307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=109970133302425307' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109970133302425307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109970133302425307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/indeciso.html' title='Indecisão'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-109944374791437345</id><published>2004-11-03T01:57:00.000Z</published><updated>2004-11-06T00:36:25.316Z</updated><title type='text'>a natureza dos sonhos (parte I)</title><content type='html'>Cresce-se lentamente, os sonhos, regados diariamente por mão meiga, de pai, mãe ou avós. . . desenvolvem em nós a ilusão.&lt;br /&gt;Um dia –talvez durante uma das muitas crises de adolescência -  descobre-se que afinal, o mundo não decorre em nosso redor: nós não somos os mais importantes, os mais bonitos ou os mais inteligentes. Nós não somos a personagem principal da história, a do final feliz que derrota os maus, casa com a donzela e, no meio de riqueza e fausto, vive feliz para sempre. Nós somos as figuras secundárias, os figurantes, aqueles por quem a caneta não chega a traçar uma linha ou a câmara não apanha sequer num plano esbatido. E descobre-se que o mundo é todo feito de personagens secundárias que dão cor a uma qualquer história que, talvez, não tenha sequer personagens principais – as tais às quais, mesmo após um ou dois percalços, corre tudo bem. E descobre-se que os tais sonhos, os regados pelos pais, já o não são mais. Chegou a altura de os trocar por um horário das 09h às 18h, igual ao dos pais, os quais nos mantiveram na ilusão de um mundo que nunca existira, nem para eles.&lt;br /&gt;E descobre-se que não se consegue viver sem os tais sonhos. Mas agora, somos nós quem tem de segurar no regador. . .  mas ele é tão pesado. . . os pais eram tão grandes . . . com a mesma facilidade com que pegavam em nós com uma mão e no nosso irmão com a outra, fazendo os nossos cabelos voar num corrupio mágico, com essa mesma facilidade davam água aos nossos sonhos.&lt;br /&gt;Agora os pais já não vêm o tal regador. E este cresceu tanto, ou a água não é água mas areia, tão pesado. . .&lt;br /&gt;E quando tentamos regar o rebento, a areia destroi-o sufoca-o em pó, mata-o com o seu peso. Ou então é a nossa falta de jeito que deixa cair o objecto em peso em cima do vaso. ou então, somos nós quem se esquece do pequeno rebento e o deixa minguar, secar, apodrecer.&lt;br /&gt;Talvez um dia, daí a muitos anos, enquanto se explora o sotão das recordações se encontre um vaso pequeno e velho, mesmo escaqueirado. E não nos lembramos para que é que aquilo serviu e deitamos fora, juntamente com todo o lixo que deixámos acumular com o passar das décadas.&lt;br /&gt;Os sonhos podem, de facto, ser vistos como flores.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-109944374791437345?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/109944374791437345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=109944374791437345' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109944374791437345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109944374791437345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/11/natureza-dos-sonhos-parte-i.html' title='a natureza dos sonhos (parte I)'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-109915165134662308</id><published>2004-10-30T16:51:00.001+01:00</published><updated>2009-03-31T18:41:16.169+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O que se segue é um texto um pouco violento mas volta e meia encara-se o mundo das mais variadas formas...&lt;br /&gt;Nasceu como uma ideia para uma Banda-Desenhada que nunca se concretizou e, se o conseguirem visualizar mentalmente, cheio das cores do pôr-do-sol em cada imagem, verão como, apesar da sua brutalidade, não deixa de ser belo. Ou, pelo menos eu assim o penso...&lt;br /&gt;Deixem a vossa opinião!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-109915165134662308?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/109915165134662308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=109915165134662308' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109915165134662308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109915165134662308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/10/o-que-se-segue-um-texto-um-pouco.html' title=''/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-109915148927731704</id><published>2004-10-30T16:42:00.000+01:00</published><updated>2004-10-30T16:51:29.276+01:00</updated><title type='text'>Rapina</title><content type='html'>Eram 20:30 e o telefone nunca mais tocava. Deixou a cabeça escorregar entre as mãos, escondendo-a  nos braços, de encontro ao peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora não chovia nem estava calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Anda tudo indeciso” - pensou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o fim do dia e o sol ia-se apagando.&lt;br /&gt;Por um canto da janela viu um raio desaparecer entre as nuvens. Agarrou a ponta mais comprida deste, deixando-se arrastar para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá do cimo olhou para a terra e não viu nada que lhe interessasse - uma cidade velha em decomposição rodeada de tantas outras tão mortas como ela, habitadas por destroços humanos.&lt;br /&gt;Sentiu as costas rasgar, numa dor lancinante que a fez soltar o raio a que se agarrara.&lt;br /&gt;Enquanto caia a dor aumentava, alastrando a todo o corpo. Sem conseguir aguentar mais abriu a boca para um grito de dor. Um guincho estridente foi tudo o que os seus ouvidos escutaram, ao mesmo tempo que tomava consciência da sua nova forma. Agitou as asas, afastando-se velozmente do chão que se aproximava para a receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigiu-se ao topo de um prédio no centro da cidade e observou as pessoas que passavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua nova visão permitia-lhe ver as presas como se estas estivessem ao seu lado.&lt;br /&gt;Atentamente, decidiu qual seria o seu jantar.&lt;br /&gt;De um salto, mergulhou no coração da cidade, silenciosa e rápida.&lt;br /&gt;Agarrou as costas da presa que escolhera, arrastando-a pelos ares para fora da cidade.&lt;br /&gt;Uma rápida bicada foi o suficiente para lhe rasgar o pescoço. Foi depenicando a cabeça enquanto com as garras ia rasgando as roupas que cobriam o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a comer-se a ela própria - pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com um rápido sacudir das penas afastou a ideia do pensamento. Era livre. Era diferente pois conseguira fazer o que nunca antes alguém conseguira. E agora podia acelerar o processo de decomposição. Sentia-se mais como um abutre que depenicasse um cadáver do que uma ave de rapina que comia carne ainda quente. &lt;br /&gt;Durante dias vagueou pelos céus das cidades próximas, brincando ao gato e ao rato com os seres indefesos que lhe serviam de sustento.&lt;br /&gt;Cedo descobriu que as armas que as suas presas usavam nada podiam contra ela, divertindo-se a vê-las correr em pânico de cada vez que fazia um voo rasante por entre os prédios.&lt;br /&gt;A caça era toda a sua razão de viver; ansiava pelo momento em que iria sentir a carne a ser rasgada entre as suas garras, o sangue a escorrer pelo bico, o som de ossos a quebrar e gritos de pânico e dor insuportável entrelaçados.&lt;br /&gt;Deliciava-se em fazer sofrer, ver as presas debaterem-se em agonia enquanto as esventrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma predadora cem porcento eficiente: só não caçava o que não se mexia. &lt;br /&gt;Em consciência é incorrecto chamar caça a um desporto de pura carnificina. &lt;br /&gt;Encontrava-se completamente alheada da sua antiga humanidade ou, então, só agora é que exercia em pleno o que era ser-se humano... não era realmente algo em que pensasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os arredores da cidade estavam pejados de corpos mutilados, trofeus de cães e gatos vadios, a início, agora disputados pelos animais selvagens das redondezas.&lt;br /&gt;Pouco depois já não havia mais caça - os poucos seres que haviam sobrevivido iam definhando à medida que a comida escasseava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os dias seguintes caçar tornou-se um desafio - já se via obrigada a rondar os céus durante horas até que alguém saísse de um dos prédios.&lt;br /&gt;Depois era a corrida por entre ruas abandonadas, voos picados que, regra geral, eram coroados com êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma manhã - já à muito que perdera completa noção do tempo- viu-se surpreendida por um silêncio absoluto.&lt;br /&gt;Nas ruas abandonadas não se via sequer as usuais ratazanas.&lt;br /&gt;Dos prédios não saia o mais pequeno som.&lt;br /&gt;Aguardou durante vários nascer-de-sol antes de se render à evidencia de que já não havia vivalma naquela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distendeu as asas, fazendo estalar os ossos.&lt;br /&gt;Com um elegante mergulho deixou-se cair em direcção à vastidão da planície. Contrariando a força da gravidade elevou-se em direcção ao Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que se aproximava do ocaso, o seu corpo começou a dissolver-se na luz, regressando ao seu criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá embaixo só a vida nos oceanos fervilhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-109915148927731704?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/109915148927731704/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=109915148927731704' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109915148927731704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109915148927731704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/10/rapina.html' title='Rapina'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-109881873780470327</id><published>2004-10-26T20:23:00.000+01:00</published><updated>2004-10-26T20:25:37.803+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Passo os dias&lt;br /&gt;fechado comigo mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Inverno vai descendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando olho para mim,&lt;br /&gt;não está aqui ninguém&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-109881873780470327?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/109881873780470327/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=109881873780470327' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109881873780470327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109881873780470327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/10/passo-os-dias-fechado-comigo-mesmo-o.html' title=''/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-109856446702962072</id><published>2004-10-23T21:44:00.000+01:00</published><updated>2004-10-24T23:46:26.383+01:00</updated><title type='text'>Conceitos - debatendo o amor</title><content type='html'>&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Há momentos ao longo da vida em que nos cruzamos com alguém especial... pode ser um conhecido de um amigo, que nos é apresentado durante os copos de uma saída nocturna, pode ser alguém que conhecemos num fim-de-semana, pode ser aquela pessoa que se cruzou connosco ainda há momentos, enquanto nos dirigíamos para casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não consigo conceber que na vida só haja uma pessoa certa para cada um - a nossa outra metade – pois isso seria validar a ideia de que enquanto ser individual somos incompletos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Se pensarmos que só nos apaixonamos por alguém depois de o conhecermos (excluindo aqui a atracção física por um desconhecido) podemos extrapolar que se nos fosse dada a possibilidade de conhecer todas as pessoas do mundo nos iríamos apaixonar uns milhões de vezes... já que na realidade a escolha do nosso "coração" foi, obrigatoriamente, sobre uma pessoa de um grupo muito restrito com o qual convivemos no nosso dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Voltando à ideia inicial, cada dia cruzamo-nos, com certeza, com inúmeras pessoas com as quais temos incontáveis afinidades e pelas quais, no devido contexto, nos apaixonaríamos perdidamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não pretendo com isto reduzir o amor que cada um sente pel@ seu/sua companheir@... o nosso amor não é findável e nele cabe um sem número de pessoas... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;...simplesmente estamos com aquela que calhou estar à hora certa, no sítio certo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td height="1" unselectable="on"  style="font-size:1pt;"&gt;&lt;div id="hotbar_promo" align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-109856446702962072?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/109856446702962072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=109856446702962072' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109856446702962072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109856446702962072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/10/conceitos-debatendo-o-amor.html' title='Conceitos - debatendo o amor'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8805414.post-109838988073057119</id><published>2004-10-21T21:10:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T21:18:00.730+01:00</updated><title type='text'>Chuva (realidades)</title><content type='html'>Era uma vez. Não há tanto tempo assim.&lt;br /&gt;A água escorre pela cara, a roupa cola-se ao corpo magro enregelado.&lt;br /&gt;O pescoço está enterrado na gola de um casaco de couro, velho.&lt;br /&gt;Pára na ombreira de uma papelaria enquanto conta as moedas que tira do bolso.&lt;br /&gt;Uma madeixa do cabelo cai para a cara, fazendo um fio de água escorrer para a boca.&lt;br /&gt;Atravessa a rua e entra num café. É o meio da tarde e há em quase todas as mesas universitários a estudar.&lt;br /&gt;O ambiente é pesado, muito tabaco concentrado numa sala fechada.&lt;br /&gt;As mesas são pequenas, redondas, velhas.&lt;br /&gt;Do lado esquerdo está o balcão, em madeira suja com tampo de metal baço. Uma mulher baixinha e redonda, com um ar tão gasto que parece mais uma peça do estabelecimento.&lt;br /&gt;Dirige-se a uma mesa no canto direito, ao lado da porta.Pede um café.Enquanto mexe o açúcar lê os arabescos desenhados na mesa.&lt;br /&gt;Tira do bolso uma caneta e escreve num guardanapo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não foi assim há tanto tempo.&lt;br /&gt;Disseste que me amavas.&lt;br /&gt;Eu acreditei.&lt;br /&gt;Quando se ama acredita-se sempre. Porque se quer ou porque se tem de acreditar.&lt;br /&gt;Acreditei de todas as vezes que o disseste.&lt;br /&gt;Nada tinha importância depois de o dizeres pois toda a minha existência é a espera do momento em que volte a ouvir essas palavras da tua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi-vos.&lt;br /&gt;Iam juntos.&lt;br /&gt;Com aquela intimidade de quem conhece cada pedaço do corpo do outro, aquele à vontade de se poder tocar em qualquer parte, pois é tudo nosso.&lt;br /&gt;MEU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sem saber como reagir.&lt;br /&gt;Segui-vos.&lt;br /&gt;Segui-vos durante quinze minutos.&lt;br /&gt;Seguravas no guarda-chuva.&lt;br /&gt;Desisti daquela cena quando o frio começou a ser tanto que me fez sair do torpor em que caíra.&lt;br /&gt;Desisti de qualquer cena.&lt;br /&gt;Não tenho direitos sobre ti.&lt;br /&gt;Nunca tive.&lt;br /&gt;Eras sempre tu quem vencia.&lt;br /&gt;Quando eu não queria, ficava.&lt;br /&gt;Tu ias.&lt;br /&gt;As festas com os teus amigos, as idas aos cafés, os encontros marcados comigo a que faltavas.&lt;br /&gt;Quando se ama acredita-se sempre.&lt;br /&gt;Nunca fui capaz de duvidar.&lt;br /&gt;Duvidar seria morrer aos pouquinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morri.&lt;br /&gt;Há uma hora que morri.&lt;br /&gt;Ter a certeza é morrer.&lt;br /&gt;Não vou chorar. Isso cabe aos outros. Um morto nunca chora por si. Deixa-se meter no caixão; ser enterrado.&lt;br /&gt;Os outros que chorem.&lt;br /&gt;Morrer. Cada milímetro de carne em mim está em agonia.&lt;br /&gt;Grita de dor. Eu morri mas a minha carne não o sabe.&lt;br /&gt;Inflige-me o maior sofrimento que já alguma vez senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu MORRI!&lt;br /&gt;A minha carne não sabe.&lt;br /&gt;A dor rasga-me a alma, tenta arrastar-me de volta à vida.&lt;br /&gt;Um morto não sofre.&lt;br /&gt;Não sente nada.&lt;br /&gt;Mas eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque eu amo-te !? ”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8805414-109838988073057119?l=nolimbo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nolimbo.blogspot.com/feeds/109838988073057119/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8805414&amp;postID=109838988073057119' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109838988073057119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8805414/posts/default/109838988073057119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nolimbo.blogspot.com/2004/10/chuva-realidades.html' title='Chuva (realidades)'/><author><name>Clio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
